Artigos

 
29/03/2019

Learning Agility

Por Tania Lopes

Vivenciamos um mundo que atingiu um patamar de complexidade nunca visto antes. O avanço tecnológico, a velocidade das mudanças, a imprevisibilidade e a interconexão global, provocaram mudanças sem precedentes na forma como as pessoas vivem, se relacionam e consomem produtos e serviços. Neste contexto, cada vez mais as soft skills superam as hard skills e as organizações concentram-se na busca de pessoas capazes de aprender de maneira ágil, contínua, versátil, com capacidade de adaptação e flexibilidade.

Pesquisas conduzidas pela Korn Ferry a partir da avaliação de quase 1 milhão de executivos demonstram que à medida que subimos na hierarquia executiva, precisamos nos tornar cada vez mais confortáveis ​​com a incerteza e a mudança súbita, sendo  chamados a todo momento a desafiar o status quo, a  ter a capacidade integrativa de construir coletivamente e dar sentido a informações e ideias aparentemente não relacionadas, criando soluções inovadoras.

Em 2000, Michael Lombardo e Robert Eichinger publicaram um  estudo intitulado “High Potentials as High Learners”, no qual cunharam o termo Learning Agility e apresentaram descobertas iniciais sobre a relação entre agilidade de aprendizagem e potencial de liderança.

Este estudo tem como premissa que o potencial de aprendizagem não pode ser detectado somente a partir do que um indivíduo já demonstra como resultado de sua performance atual, ele requer que o indivíduo coloque em prática o aprendizado em algo inédito ou de maior complexidade, para demonstrar sua efetiva capacidade de lidar com o novo. Nasce aí a expressão: “saber o que fazer quando você não sabe o que fazer”. Portanto, o potencial de aprendizagem envolve aprender novas habilidades para atuar em situações diferentes e desafiadoras.

Lombardo e Eichinger avaliam a agilidade para aprender em cinco dimensões: autoconhecimento, agilidade mental, agilidade pessoal, agilidade para mudança,  agilidade para resultados.

Agilidade mental: é a capacidade de pensar de maneira diferente, examinando problemas a partir de uma perspectiva ampla, original e estratégica e processar informações rapidamente.  Perceber com clareza e rapidez os aspectos críticos e as informações relevantes, analisar criticamente para resolver desafios complexos e expandir possibilidades fazendo novas conexões.

Agilidade pessoal: trata da habilidade de entender e se relacionar bem com pessoas, demonstrar abertura, flexibilidade, encarar situações difíceis para melhorar seu desempenho em grupo, assim como compreender e ser capaz de trabalhar bem com pessoas diferentes, inspirando confiança e desenvolvendo pessoas para alcançar objetivos. Pessoas com essa característica obtêm os resultados por meio da criação e participação em equipes, percebendo claramente a posição que devem ocupar.

Agilidade para mudança: consiste na capacidade de detectar sinais precoces de mudança e desenvolver as ações necessárias para se adaptar ou promover mudanças de forma eficaz. Geralmente, são pessoas inovadoras e curiosas,  que tem paixão por ideias e melhoria contínua, que assumem riscos, provocam mudanças e se sentem confortáveis ​​com isso.

Agilidade para resultados: é a capacidade de definir objetivos e prioridades e manter o foco neles para obter os resultados desejados. Pessoas ágeis para resultados tem  um grande impulso para resultados e são energizadas por atribuições desafiadoras Esta habilidade nos ajuda a alcançar sucesso em situações novas, inspirando equipes e exibindo uma postura que constrói confiança em si e nos outros.

Autoconhecimento: Considerada como um fator transcendente que impacta nas demais dimensões, está relacionada a autoconsciência, a percepção de si próprio em termos de pontos fortes e fracos e como fortalecer suas habilidades e compensar os gaps. Pessoas com agilidade em autoconhecimento têm uma boa dose de autocrítica saudável, passam por uma busca contínua por feedback e auto feedback, autoanalisam com humildade e rigor, resultando em um bom nível de autoconfiança.

Com o avanço dos estudos a respeito da temática de Agilidade de Aprendizagem fica ainda mais evidente que as pessoas se beneficiam de forma diferente da experiência, algumas pessoas aprendem e adotam novos comportamentos e outras não. É necessário, portanto, mais do que aprender, desenvolver agilidade e contínuo comportamento adaptativo ao longo do tempo, com um mindset aberto ao aprendizado e crescimento.

Pessoas com agilidade de aprendizagem praticam autorreflexão, possuem autoconhecimento, demonstram abertura à experiência, à novas ideias, à novas pessoas, novos ambientes, são proativas na aprendizagem, identificando em seu ambiente novas oportunidades, novos desafios e soluções, com disposição e prontidão para aprender com tudo e com todos.

Aprendizagem é, portanto, um processo de transformação e para dar celeridade a prontidão para aprender, é necessário transformar a aprendizagem em um hábito, por meio da abertura e flexibilidade para aprender continuamente, percebendo de forma consciente novos desafios e experiências como potencial de crescimento, fortalecendo competências essenciais para superar os desafios presentes e futuros.

 

 

Compartilhe:

voltar

Compartilhe no WhatsApp