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04/09/2018

Governança Corporativa

Por Tania Mara Lopes

A Governança Corporativa representa a ruptura com os modelos tradicionais e mecanicistas de administração de empresas, colocando em pauta questões relevantes, como a sustentabilidade,  o compliance, a geração de valor, a visão de futuro, o papel e responsabilidades do conselho de administração, dos diretores e lideranças organizacionais. Em um cenário cada vez mais competitivo,  as preocupações referentes à profissionalização da gestão, à perpetuação da empresa e a agregação de valor ao negócio  ingressaram fortemente na agenda de lideranças, ocupando uma posição de destaque e exigindo práticas diferenciadas de gestão e de governança.

Neste contexto, a Governança Corporativa nas organizações assume um papel cada vez mais desafiador, demandando novos saberes e capacidade inovadora dos membros da governança, visando a sustentabilidade e excelência na gestão de negócios e processos que se tornam cada vez mais complexos e competitivos, primando pela construção de ações fundamentadas em princípios solidamente construídos e que desafiam o status quo e modelos tradicionais vigentes.

Derivadas do conjunto de diversidades que se observa no mundo corporativo, há diferentes definições de Governança Corporativa, em geral voltadas à criação de valor para o acionista e organizações e pautadas em princípios como a transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, com vistas a um ambiente corporativo que promova tomadas de decisões voltadas para o interesse comum de longo prazo das organizações.

O Código de Melhores Práticas de Governança Corporativa descreve a seguinte visão do tema:

“Governança corporativa é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização e controle e demais partes interessadas. As boas práticas de governança corporativa convertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum”. (IBGC, 2015. p.20).

De acordo com Silveira (2015) a governança corporativa agrega benefícios à organização como:

  1. Aprimoramento do funcionamento da alta gestão, com delimitação mais clara dos papéis.
  2. Melhoria das interfaces entre os órgãos e aprimoramento do processo decisório;
  3. Relacionamento mais estruturado entre acionistas, conselheiros e executivos;
  4. Aprimoramento dos mecanismos de avaliação de desempenho e do sistema de incentivo dos executivos, oportunizando um ambiente mais meritocrático;
  5. Melhoria na gestão de riscos, controles internos e mecanismos de aculturamento para assegurar a aderência as regras; e
  6. Maior transparência e credibilidade com os stakeholders.

A última pesquisa do IBG (2016) referente aos Perfil dos Conselhos de Administração, salienta  que discussões sobre avanços e retrocessos em práticas de governança corporativa implicam em refletir sobre os conselhos de administração, posto que como órgão principal de tomada de decisão, direcionamento estratégico e supervisão da gestão, o papel dos conselhos é determinante para promover o desempenho sustentável das organizações.

Os conselhos de administração possuem papéis-chave como: responsabilidades por monitorar e influenciar a estratégia, manter controle da gestão e dos recursos da empresa e prover uma face institucional para a organização junto à sociedade. A trajetória das organizações em direção à geração de valor sustentável pressupõe a existência de profissionais comprometidos com o aprimoramento da governança corporativa.

Selecionar e qualificar conselheiros com competências diversificadas. Estimular diálogos estratégicos sob diferentes pontos de vistas, com visão de longo prazo são fundamentais para uma governança de alto nível. Um conselho com uma atuação estratégica e de alta performance deve exercer suas atribuições respeitando a cultura e a identidade da organização e buscando seu fortalecimento, assim como, dar o direcionamento estratégico para a companhia, assegurar que os temas de sustentabilidade estejam vinculados às escolhas estratégicas; primar por uma gestão eficaz de riscos, fomentar a inovação e monitorar o desempenho, planejando e discutindo novas estratégias e rotas alternativas sempre que necessário.

A complementariedade de conhecimentos e experiências é fundamental, pois permite a pluralidade de argumentos, promove a diversidade, inclusive de pontos de vista,  permitindo que o processo de tomada de decisão ganhe qualidade e segurança.

Apesar de todo conhecimento produzido acerca da governança corporativa e da reconhecida importância na gestão dos negócios, a discussão sobre sua evolução ainda é limitada e suas práticas ainda não estão efetivamente internalizadas pelas organizações. Os marcos históricos recentes da governança corporativa, as diferenças quanto as suas concepções e a sua abrangência e a diversidade dos modelos ao redor do mundo são fatores que impactam também na internalização das práticas pelo mundo corporativo e na sua evolução.

Segundo Paulo Freire: “Aprender não é um ato findo. Aprender é um exercício constante de renovação”, assim também é o processo de governança, há que se reinventar e renovar atendendo as exigências, demandas e necessidades de um mercado tão dinâmico. Há de gerar inovação e se apropriar desta e impulsionar novos modelos de governança que promovam de fato a sustentabilidade das organizações, fundamentada em princípios que assegurem além da longevidade o cumprimento efetivo de sua missão e visão.

Referências:

IBGC. Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, 5ª versão, São Paulo, 2015.
IBGC. Perfil dos conselhos de administração. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, 5ª versão, São Paulo, SP, 2016.
SILVEIRA, Alexandre Governança Corporativa no Brasil e no Mundo. São Paulo, 2ª ed. 2015.

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